Conselho Federal de Serviço Social: Manifesta repúdio à violência contra os povos indígenas e reafirma compromisso com suas lutas e resistências
O Conselho Federal de Serviço
Social (CFESS) manifesta repúdio às ameaças e aos ataques contra os povos
indígenas em diferentes regiões do país, diante da intensificação da violência
política no contexto das eleições de 2026.
No Mato Grosso do Sul, os povos
Guarani Kaiowá denunciam ameaças de morte, tentativas de assassinato e ameaças
de envenenamento das fontes de água utilizadas pelas comunidades, em situações
que também envolvem intimidações relacionadas ao exercício do voto.
No Pará, o povo Parakanã, da
Terra Indígena Apyterewa, voltou a sofrer ameaças de invasão de seu território.
Em Manaus (AM), uma operação de reintegração de posse no bairro Santa Etelvina
deixou mais de 100 famílias desabrigadas, entre elas famílias indígenas de
diferentes povos, em meio a denúncias de violência policial e violações de
direitos.
É necessário afirmar que essas
violências não começam com o resultado do processo eleitoral e tampouco se
restringem a ele. Inscrevem-se em uma história de colonização, racismo,
expropriação territorial, deslocamentos forçados e violações sistemáticas dos
direitos dos povos indígenas. A conjuntura eleitoral recente, contudo,
contribuiu para intensificar e dar maior visibilidade a essas práticas,
evidenciando o racismo e os interesses econômicos e políticos que sustentam a
violência histórica contra esses povos. Nesse contexto, ganham força discursos
e práticas autoritárias, emergidas por projetos da extrema direita que flertam
diretamente com o fascismo, que legitimam a discriminação, a perseguição e a
violação de direitos.
Esses processos estão
relacionados diretamente à expansão do capital sobre os territórios
tradicionais, à pressão econômica decorrente da exploração mineral, à
realização de grandes obras de infraestrutura e à ampliação das fronteiras
agrícolas. Sob diferentes formas, esses interesses econômicos avançam sobre os
territórios, produzem conflitos e deslocamentos compulsórios e ameaçam os modos
de vida, a organização social e a existência dos povos indígenas. A violência
também se dirige à resistência desses povos que, ao defenderem seus
territórios, confrontam projetos de expropriação e exploração dos bens comuns
da natureza, reafirmando seu direito à existência e à preservação de seus modos
de vida.
O CFESS reafirma o compromisso
ético-político do Serviço Social brasileiro com a defesa intransigente dos
direitos humanos, das liberdades democráticas e com o enfrentamento
ao racismo e a todas as formas de exploração e opressão. Esse compromisso pressupõe
o reconhecimento dos povos indígenas como sujeitos coletivos de direitos, de
suas formas próprias de organização e de seu direito originário aos territórios
tradicionalmente ocupados.
Defender os povos indígenas, seus
direitos e seus territórios é defender a memória, a democracia e a soberania
nacional. Não há democracia efetiva quando os povos são submetidos à violência,
à expropriação e à negação de seus direitos. Também não há soberania nacional
quando os territórios e os bens comuns da natureza são submetidos aos
interesses econômicos e do capital nacional e internacional, em detrimento dos
direitos constitucionais e a autodeterminação dos povos e da proteção dos
territórios tradicionais.
Em defesa dos direitos dos povos
indígenas, da democracia e da soberania nacional!
Conselho Federal de Serviço
Social (CFESS)
Gestão Estrada de fazer o sonho
acontecer (2026-2029)




